domingo, 20 de março de 2016

Eu não vivo lá

Descendo do ônibus 052 parada 4, no final da Rua Algodão Doce, no meio da cidade grande pude ver um homem, um pouco mais novo que eu, lendo um jornal muito concentrado. Aproximei-me dele e perguntei:
- Com licença meu jovem, onde você conseguiu esse jornal?
- Na esquina! Na banca do Zé.
Agradeci e fui correndo para lá. Tive que desembolsar 2 reais e 40 centavos. O título da capa me desapontou: "NÚMERO DE ASSALTOS AUMENTA 30% EM 1 SEMANA!". Então me lembrei do Jornal de ontem à noite falando que até o final dos próximos dois anos todos serão assaltados em uma média de 3,6 vezes por mês. Isso é um absurdo! Decidi tirar minhas próprias conclusões.
Fui correndo para casa, uma rua abaixo, onde pude ver uma turma de garotos jogando uma pelada, algumas meninas na amarelinha, outros batendo cartas, e pensei que essa violência não é daquele jeito não. As pessoas estão exagerando demais. Vi minha mulher fazendo um de seus tricôs sentada na frente de casa, com o portão aberto. Falei pra ela:
- Ainda bem que não moramos na cidade daquele jornal!

Texto produzido por Matheus Rezende

TEMA: Impressão de violência em grandes centros urbanos
NOTA: 7.5

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