segunda-feira, 11 de maio de 2020

Eu vou voltar

Acabei de reencontrar esse blog e ele me despertou uma vontade enorme de voltar. Eu vou voltar a escrever aqui, quem sabe um pouco de poesia...

domingo, 20 de março de 2016

Eu não vivo lá

Descendo do ônibus 052 parada 4, no final da Rua Algodão Doce, no meio da cidade grande pude ver um homem, um pouco mais novo que eu, lendo um jornal muito concentrado. Aproximei-me dele e perguntei:
- Com licença meu jovem, onde você conseguiu esse jornal?
- Na esquina! Na banca do Zé.
Agradeci e fui correndo para lá. Tive que desembolsar 2 reais e 40 centavos. O título da capa me desapontou: "NÚMERO DE ASSALTOS AUMENTA 30% EM 1 SEMANA!". Então me lembrei do Jornal de ontem à noite falando que até o final dos próximos dois anos todos serão assaltados em uma média de 3,6 vezes por mês. Isso é um absurdo! Decidi tirar minhas próprias conclusões.
Fui correndo para casa, uma rua abaixo, onde pude ver uma turma de garotos jogando uma pelada, algumas meninas na amarelinha, outros batendo cartas, e pensei que essa violência não é daquele jeito não. As pessoas estão exagerando demais. Vi minha mulher fazendo um de seus tricôs sentada na frente de casa, com o portão aberto. Falei pra ela:
- Ainda bem que não moramos na cidade daquele jornal!

Texto produzido por Matheus Rezende

TEMA: Impressão de violência em grandes centros urbanos
NOTA: 7.5

O dia em que meu mundo desabou

Eu estava deitado no sofá, com a cabeça enfiada no meu travesseiro que ganhei quando minha vizinha, Rebecca foi a Nova York e trouxe-o para mim. Lágrimas escorriam pelas minhas têmporas, meus olhos permaneciam fechados, minha vida se reduziu a nada.
Saber que eu nunca mais iria ver episódios inéditos da minha série era como uma facada na minha artéria aorta, a Netflix nunca havia me desapontado tanto assim. Eu não sabia da minha vida, decidi que iria enfrentar essa solidão lendo um livro que Rebecca trouxe também, demorei para achá-lo, embaixo da minha cama.
Era um livro com um título sem-graça, de uma autora com um nome esquisito, e uma capa horrorosa. Quando cheguei no 3º capítulo comecei a chorar, não sabia o porquê, mas o sofrimento daquele garoto mexeu comigo e percebi o que eu estava perdendo. Terminei de ler e fiquei alguns minutos raciocinando sobre o que eu lera. Então descobri que minha vida não tinha acabado, ela tinha começado.
Fui contar para Rebecca sobre minha descoberta e ela me emprestou um livro que trazia o mesmo título da minha série. A minha série era baseada em um livro! Chorei de alegria quando li. E fui correndo para a biblioteca da cidade viver minha vida de verdade.

Texto produzido por Matheus Rezende

TEMA: A leitura transforma vidas
NOTA: 8.6